black blue and yellow textile

One Piece: Tony Tony Chopper

Um estudo narrativo sobre a aparência de criaturas místicas

Pelúcia

   Poc-poc-poc.

   Ouço o som de pequenos passos ao meu lado. Em um ritmo rápido, mas não o de alguém correndo ou algo do tipo. Como se fossem passinhos pequenininhos. De alguém com perninhas. Uma criança, talvez? Com sapatilhas de sapatear?

   Estranho… Isso deveria ser um hospital.

   Viro a cabeça com dificuldade, ainda zonza de remédios e, bem, talvez esteja grogue mesmo, porque vejo um chapeuzinho rosado algo como uma cartola alta, revestida de uma pelugem fofa. Uma cartola de pelúcia. Textura de pelúcia.

   E o que vai se revelando por trás da cama parece, mesmo, ser uma pelúcia.

   Nem um metro de altura.

   Uma coisa fofa, peludinha, que vai se afastando da minha cama, de costas para mim.

   Não nota que eu acordei.

   Andando em duas patas e se balançando de um lado para o outro, faz poc-poc-poc quando os cascos dos seus pezinhos tocam o chão. Se ele tem cascos nas mãos e pés é porque… é uma rena?

   Sei disso porque noto orelhinhas e os galhos de chifre saindo através cartola penugenta (um buraco na costura feito especialmente para isso). Tão pequeninos e fofos quanto a criatura em si.

   Um bebê rena, talvez?

   Mas anda ereto. Como um humano. Está vestindo uma bermuda, mas sem camiseta — o que deixa seu corpinho peludo à mostra.

   E está equilibrando uma bandeja de remédios nas mãos de casquinho os cascos das mãos se dividem em partes, uma delas simulando o polegar opositor que um ser humano tem, e é assim que ele consegue segurar a bandeja.

   Ele passa pela cama ao lado e lança um olhar aliviado quando vê Sanji dormindo calmamente. E segue andando.

   — Olá? — pergunto. Quero entender o que está acontecendo.

   Ele se assusta.

   Arregala os olhos e abre o focinho, espantado. Sai correndo. Imagino que ele queria ter saído da sala, mas opta por se esconder atrás de um pilar.

   Bem, quase.

   Ele sobe uma dupla de degraus com bastante dificuldade — dado seu tamanho — e coloca não mais do que 10% do seu rosto atrás do pilar.

   E fica me encarando.

   — Hã… — Ergo uma sobrancelha. — Você está… se escondendo?

  — É claro! — a criaturinha responde, uma voz de uma criança de uns 5 anos, no máximo. — É por isso que você não está conseguindo me ver!

   — Ah. Não deu muito certo.

   — Cala a sua boca! — a vozinha estridente reclama e ele me encara com o cenho franzido. Expressões humanas, apesar do corpinho, focinho e todo o resto de rena. O mini-surto me pega de surpresa, mas ele logo se recompõe e sai de trás do pilar (se é que estava atrás dele) e esboça um sorriso. Com a voz calma e tranquila, ele pergunta: — Você está… se sentindo melhor?

   Fofo.

Autora: Bia Bizaio

Data de postagem: 11/03/2026